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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Análises revelam risco de contaminação em mamadeiras

Testes demostram que produtos feitos com silicone liberaram concentrações de contaminantes acima de índices preconizados pela Anvisa


Em seis marcas de mamadeiras o pesquisador avaliou a migração de ftalatos, antioxidantes, aminas aromáticas, nitrosaminas e metais, utilizando cromatografia gasosa e líquida, acopladas à espectrometria de massas, e a espectroscopia. Foto: Antoninho Perri


Sabe-se que plásticos não são inertes e podem interagir com produtos alimentícios, a exemplo dos materiais utilizados na fabricação de mamadeiras que, em decorrência da migração de componentes para o leite, podem expor as crianças a substâncias potencialmente nocivas. Apesar de mais de 50% da população utilizar mamadeiras na alimentação de crianças com até um ano de idade, faltam dados sobre a migração de determinadas substâncias para o alimento, a partir de propileno, Tritan e silicone, materiais comumente utilizados no Brasil para fabricação desses utensílios e de outros destinados em geral ao acondicionamento de alimentos.

Some-se a isso o fato de essas mamadeiras utilizarem pigmentos para coloração do corpo e do bico e nas impressões decorativas, que devem ser levados em conta porque todos esses aditivos podem migrar para o alimento, constituindo fator de risco.

Torna-se imprescindível, portanto, avaliar a segurança desses materiais em relação aos fins a que se destinam, particularmente porque lactentes e crianças de primeira infância representam um grupo vulnerável à toxidade de certos compostos, uma vez que as suas vias metabólicas são ainda imaturas e o consumo alimentar por peso corpóreo é maior que o dos adultos. Evidências sugerem que a exposição precoce a vários destes compostos aumenta o risco do desenvolvimento de determinadas doenças crônicas e neurodegenerativas, alguns tipos de cânceres, além de disfunções nos sistemas endócrino e reprodutor.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece limites máximos de migração específica para aditivos como ftalatos, antioxidantes, nitrosaminas em materiais que entram em contato com alimentos. Até o momento, poucos estudos reportam à migração desses contaminantes a partir de produtos disponíveis no mercado brasileiro. Este cenário orientou o doutorado do engenheiro de alimentos Wellington da Silva Oliveira que teve como objetivo avaliar a segurança dos materiais utilizados para fabricação de mamadeiras, por meio de análises qualitativas e quantitativas de migrantes, simulando a utilização do utensílio pela população.

Em seis marcas de mamadeiras mais comercializadas no Brasil, ele avaliou a migração de ftalatos, antioxidantes, aminas aromáticas, nitrosaminas e metais, utilizando cromatografia gasosa e líquida, acopladas à espectrometria de massas, e a espectroscopia. Avaliou ainda o impacto sensorial da migração através da olfatometria e também a presença de outras substâncias adicionadas não intencionalmente, que resultam de processos de reação, de degradação ou da presença de impurezas nas matérias-primas utilizadas na produção do utensílio.

O trabalho, desenvolvido no Departamento de Ciência de Alimentos, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, foi orientado pela professora Helena Teixeira Godoy, que atua na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos com ênfase em análise de alimentos, em parceria com a pesquisadora Marisa Padula, do Centro de Tecnologia de Embalagens do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). Parte da pesquisa também foi realizada na Universidade de Zaragoza, Espanha – sob supervisão da professora Cristina Nerin.

As mamadeiras de polipropileno – predominantes no mercado –, Tritan e silicone foram submetidas às analises instrumentais para avaliar a conformidade dos utensílios. Todos os três materiais estavam em conformidade em relação à migração de metais, nitrosaminas e aminas aromáticas. Por outro lado, embora a migração de ftalatos tenha sido detectada em todas as amostras, somente a mamadeira de silicone liberou concentrações acima do preconizado pela Anvisa. Em relação às substâncias não adicionadas intencionalmente, as amostras de silicone não mostraram conformidade, pois apresentaram migração de substâncias não listadas para uso em materiais de contato com alimentos. Por fim, uma complexa mistura de aromas foi ainda detectada nas mamadeiras de silicone, responsáveis pelo odor forte e desagradável do utensílio.

De modo geral, o autor conclui que “mesmo com limites de migração abaixo do preconizado pela Anvisa, ainda é necessário adequar os utensílios de polipropileno e Tritan de modo a restringir a presença de ftaltos em materiais destinados a crianças. No tocante ao silicone, deve ser reavaliada a sua utilização na fabricação de materiais destinados a crianças”.  Ele acredita que os resultados obtidos possam dar suporte aos órgãos regulamentadores em relação à aprovação de uso de materiais e de novos aditivos e, também, para o gerenciamento do risco à saúde do consumidor.

DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO

As mamadeiras de polipropileno, Tritan e silicone foram avaliadas em relação à migração de substâncias para simulantes de alimentos, constituídos de misturas que os imitam, e não sobre eles mesmos, seguindo as recomendações da Anvisa. Os simulantes, que devem ser postos em contato com os materiais a serem estudados, são adequados a cada grupo de alimento e, para cada um deles, são especificados a temperatura e o tempo de contato.

Inicialmente o trabalho se ateve à identificação dos materiais das mamadeiras encontradas no mercado para que pudesse ser previsto os contaminantes que poderiam ser liberados. A partir daí foram selecionados doze modelos de mamadeiras mais vendidos no Brasil e os utensílios passaram por ensaios para avaliação de parâmetros como altura, peso capacidade volumétrica, espessura e diâmetro. Depois de validadas as metodologias para os grupos ftalatos e nitrosaminas, aminas aromáticas e antioxidantes, e metais como chumbo, zinco e cadmio, entre outros, foram então realizados os ensaios de migração específica utilizando para os ensaios, como simulantes, respectivamente, solução de etanol 50%, ácido acético 3% e saliva sintética, constituída por uma mistura de sais. Como as mamadeiras têm uso repetitivo, os ensaios foram feitos três vezes no mesmo corpo de prova, conforme recomenda a Anvisa.

Tanto o corpo como o bico da mamadeira foram submetidos aos ensaios de migração em condições mais drásticas em termos de tempo de exposição e temperatura daquelas efetivamente praticadas no uso diário. O pesquisador esclarece: “O ensaio com solução de etanol a 50% para determinação dos ftalatos, por exemplo, foi realizado durante duas horas a 70 graus, situação que nunca são cumpridas pelas mães. Com isso se consegue garantir que, se a mamadeira é inerte nessas condições, ela também o será no uso corriqueiro”.

Das 196 amostras totais analisadas, 127 foram fabricadas com propileno, 49 com Tritan e 20 com silicone. Em todas elas, com a utilização do álcool 50%, foram detectadas a migração do dibutil ftalato, mas nas amostras de silicone a migração se mostrou superior aos valores preconizados pela Anvisa. Especificamente nelas detectaram-se também altas concentrações de di-isobutil ftalato, um plastificante não regulamentado para uso em materiais de contato com alimentos. A avaliação de riscos para os ftalatos mostrou que há um potencial de efeito adverso associado ao uso de mamadeiras de silicone. A propósito o pesquisador afirma: “A simples incidência desses contaminantes em mamadeiras já é um fator extremamente preocupante. Tanto a Europa como os Estados Unidos baniram o uso de ftalatos em materiais destinados às crianças e, entre eles, encontram os detectados em nosso estudo. No Brasil essas proibições ainda não existem.”

Os ensaios de migração para ftalatos também foram realizados no leite e revelaram menores concentrações da substância que as encontradas quando do uso do álcool 50% mas, mesmo assim, superiores aos limites estabelecidos pelas normas internacionais adotadas pela Anvisa, embora as condições fossem menos drásticas que as verificadas quando do uso do simulante.

Para a determinação de aminas aromáticas e metais no corpo da mamadeira foi utilizada uma solução de ácido acético a 3%, e para avaliar as nitrosaminas e os metais nos bicos empregou-se um simulador de saliva, porque a capacidade extratora de cada simulante depende do composto que está sendo avaliado.

As migrações dos metais dos bicos das mamadeiras foram simuladas por meio de suas imersões em solução de saliva sintética por 24 horas a 40 graus, conforme o recomendado pela Anvisa, e as presenças de zinco, bário e chumbo situaram-se abaixo dos valores preconizados. Mesmo assim, o autor considera necessário o monitoramento de metais em bicos, em razão da neurotoxicidade associada ao chumbo, principalmente para bebês.

De outro lado, mesmo com a ampla utilização de tinta de impressão nas ilustrações externas ao copo e o pigmento utilizado para colorir o corpo e o bico das mamadeiras, não foram detectadas aminas aromáticas nos copos dos utensílios e nem nos bicos de borracha sintéticas, constituídas de silicone.

Nas mamadeiras de polipropileno, as aminas aromáticas e os antioxidantes, cujos ensaios foram feitos com acido acético a 3%, todos esses compostos migraram abaixo dos limites tolerados. Mas, nas mamadeiras de silicone, foram identificados 17 compostos não intencionalmente adicionados. Essas substâncias, não contempladas nas listas da Anvisa, podem constituir um risco toxicológico para os bebês.

Em relação aos compostos voláteis, dos 45 compostos identificados nas mamadeiras, 84% provinham do uso do silicone. Mereceram particular menção os aldeídos que compõem os compostos voláteis responsáveis pelo odor desagradável da mamadeira de silicone. Nestes casos, revela-se importante a análise olfatométrica, pois os compostos odoríferos podem afetar as propriedades dos alimentos e levar à rejeição do produto, mesmo em baixíssimas concentrações. Com informações da Unicamp

Fonte: LabNetwork© (www.labnetwork.com.br)

domingo, 3 de julho de 2016

Laboratório Químico do IQA é acreditado pela CGCRE do Inmetro

Instalado nas dependências do Parque Tecnológico de Sorocaba, SP, o Laboratório Químico do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva) acaba de ser acreditado pela CGCRE (Coordenação Geral de Acreditação) do Inmetro. A certificação representa o reconhecimento da competência técnica do laboratório para o desenvolvimento das atividades de ensaios em produtos.

“Esta acreditação do laboratório tem o reconhecimento dos principais organismos de acreditação do mundo através dos acordos de cooperação do ILAC (International Laboratory Accreditation Cooperation), IAAC (Interamerican Acreditation Cooperation) e IAF (International Acreditation Forum)”, avalia Sérgio Kina, gerente técnico do IQA. O Instituto atende a norma internacional de acreditação de laboratórios, a ISO/IEC 17025, além das normas específicas de ensaios para os escopos de Arla 32 e de Líquido para Freios.

Com equipamentos de última geração, o Laboratório Químico do IQA tem capacidade para realizar ensaios de produtos como Arla 32 e líquido de freio. foto: divulgação/IQA






Para conceder a acreditação, o Inmetro analisou toda a documentação do sistema de gestão do laboratório e fez uma auditoria in loco, em que avaliou todos os processos de trabalho para a realização das atividades de ensaios. “O processo de acreditação é bastante complexo e extenso. Na auditoria, o Inmetro faz uma averiguação completa do sistema para a verificação de nossa competência técnica e atendimento das normas de acreditação”, conta Kina.

Para o gerente técnico do IQA, a principal vantagem de receber a acreditação da CGCRE do Inmetro é o reconhecimento da competência a nível nacional e internacional das atividades do laboratório. “Todas as nossas análises são realizadas com equipamentos de última geração e estão à disposição para toda a sociedade”, destaca.
Segundo Mário Guitti, superintendente do IQA, o laboratório agora deve ampliar os escopos de atuação. “Além disso, o IQA contribui com o desenvolvimento de novas tecnologias. Vamos firmar parcerias com as universidades para a realização de ensaios em nosso laboratório e prestação de serviços às empresas”, afirma Guitti.

O laboratório de análises químicas

O IQA inaugurou em setembro de 2014 o primeiro laboratório do instituto, nas dependências do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), a 100 km de São Paulo. Foi a primeira fase de um projeto mais amplo, que contempla ainda um laboratório Metalográfico, um de Ensaios Mecânicos e uma Pista de Ensaios Veiculares.

Com equipamentos de última geração, o Laboratório Químico do IQA no PTS tem capacidade para realizar ensaios de produtos como Arla 32 e líquido de freio. Os equipamentos deste laboratório também contemplam análises de outros produtos do segmento automotivo como, por exemplo,aditivo de radiador.

Na lista de equipamentos, destaque para o instrumento de medição ICP – OES (Inductively Coupled Plasma – Atomic Emission Spectrometer – sigla em inglês para Espectrometria de Emissão Atômica por Plasma Acoplado Indutivamente), que realiza análise de elementos em diferentes matrizes sólidas, líquidas, orgânicas e inorgânica, Espectrômetro FTIR (espectroscopia de infravermelho), para identificar um composto ou investigar a composição de uma amostra, e o Espectrofotômetro UV, utilizado para determinar de um modo quantitativo a concentração de substâncias em solução que absorvem radiação.

Além disso, conta com Titulador Karl Fischer, usado para determinar traços de água em uma amostra, Refratômetro Digital de alta precisão,para medir a concentração das misturas de fluidos (açúcar em bebidas, impurezas em óleos, combustíveis etc.) com precisão de cinco casas decimais, e balança analítica de alta precisão, para pesagem de amostras e reagentes (precisão de até 0,00001 g), entre outros.

Publicado originalmente em: LabNetwork 
Acessado em 03/07/2016 - 12:07, Horário de Brasília




sábado, 30 de abril de 2016

Pesquisa da UFJF aponta emergência em controle de qualidade para medicamentos


Equipe do Laboratório de Análise de Glicoconjugados da 
UFJF se dedica, entre outras atividades, à analise de 
compostos de medicamentos. Foto: Géssica Leine

Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) aponta adulteração de substâncias importadas para serem utilizadas na elaboração de medicamentos, prejudicando toda a cadeia produtiva, de vendas e, mais importante, os pacientes. A situação faz um alerta sobre a necessidade imediata de um controle de qualidade nacional relativo à composição de remédios, uma medida ainda inexistente no Brasil.

O estudo aponta que, nos últimos meses em Juiz de Fora, pessoas com problemas de artrose ficaram expostas, sem saber, ao risco de desenvolver sintomas como diarreia, cólica, náuseas e distensão abdominal – o motivo é que o medicamento para combater a artrose, tanto vendido em farmácias tradicionais como nas de manipulação, vinha com um composto que não devia estar na receita: lactose.

Os resultados científicos também contabilizaram que, entre lotes de 16 farmácias da cidade, que se voluntariaram anonimamente para participar da pesquisa, apenas cinco apresentavam o medicamento para artrose com todos seus componentes corretos. Entre os outros 11 lotes de remédios, nove revelaram conter, ao invés do condroitim sulfato (sulfato de condroitina), substâncias como amilose (amido, ou seja, farinha) e, nos dois restantes, lactose.
Com isso, além de estar ingerindo um medicamento ineficaz que deve ser administrado por cerca de três a quatro meses, o paciente que possuir intolerância à lactose, por exemplo, ainda sofreria sintomas colaterais e danosos à sua saúde sem estar ciente do real motivo disto.


Pesquisa em defesa da população

A pesquisa da UFJF nasceu como um TCC de um aluno da Instituição, André Luiz da Cunha, e evoluiu para seu mestrado. Um dos responsáveis por orientar a pesquisa, professor do departamento de Bioquímica do Instituto de Ciências Biológicas (ICH) da UFJF, Jair Aguiar, informa que “não foi analisado o produto finalizado, mas sim a matéria-prima utilizada para a realização do mesmo”.

A pesquisa foi realizada de forma interdisciplinar, em conjunto com o departamento de Química da UFJF e o de Bioquímica da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), e publicada em agosto do ano passado em uma revista internacional, a Carbohydrate Polymers, da editora Elsevier, a maior de literatura médica e científica. “Assim que soubemos os nossos resultados, decidimos que eles não deviam ficar restritos à comunidade acadêmica”, argumenta Jair. “São fatos que precisam chegar ao conhecimento da população.”


Controle nacional

A questão principal levantada pela pesquisa é a necessidade urgente de um controle de qualidade nacional relativo à manipulação de remédios, algo inédito no país. “Nós sugerimos que um critério estrito seja aplicado ao controle desses medicamentos, para que o usuário, os farmacêuticos e comerciantes possam ter uma garantia confiável de que estão trabalhando, de fato, com aquilo que está sendo especificado”, conclui Jair.“Todas farmácias recebem o certificado da distribuidora destes compostos, o que, teoricamente, comprova sua legitimidade”, explica.


Metodologia de análise mais detalhada

Formado em Farmácia pela UFJF e mestre em Farmacologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marcos Alves fez parte da diretoria técnica da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) e atua na área de farmácia magistral há cerca de 18 anos. O farmacêutico chama atenção para o fato de que o Brasil possui a “legislação mais pesada do mundo” referente à entrada de matéria-prima destinada a medicamentos. “Acontece que, como a metodologia de análise de uma pequena parcela desses compostos não é estritamente definida por lei, esse tipo de falha pode acontecer.”

“O resultado da pesquisa é um forte indício de que se trata do fruto de um estudo inovador e que beneficiaria todos na cadeia de produção e atenderia melhor os pacientes”, pondera. “É preciso redesenhar uma nova metodologia de análise mais minuciosa.”

Alves também observa que a falha na entrada e análise do produto dentro do território brasileiro afeta a indústria farmacêutica como um todo, não somente as farmácias magistrais. “A diferença seria o tamanho do lote e do número de medicamentos afetados”, afirma. “Uma metodologia eficiente supriria essa demanda de todo o setor.”


Risco à saúde pública

O pesquisador também explica que o erro nos compostos do medicamento pode variar de lote para lote e, com isso, o número de farmácias vendendo um remédio para artrose ineficaz pode variar de acordo com a leva que é entregue pelas distribuidoras, estabelecendo uma verdadeira roleta russa de chances para receber, ou não, um produto falsificado.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) trata o problema de medicamentos falsos como global e de risco à saúde pública. Em uma estimativa deste ano da Organização, o número de remédios falsificados pode chegar a representar uma fatia de 15% do mercado; neste caso, a OMS considera medicamentos além dos feitos em farmácias de manipulação, mas também os comercializados em farmácias convencionais.

A Organização Pan-americana de Saúde, que representa regionalmente a OMS, emitiu em documento considerações a respeito de medicamentos falsificados que ecoam o apelo dos pesquisadores. “Deve ser dada ênfase ao (…) estabelecimento de um sistema nacional de medicamento adequado”, alerta. “É responsabilidade do governo garantir que os medicamentos falsificados sejam retirados do mercado e suas fontes descobertas e erradicadas. Isso deve ser parte de seu sistema de controle de qualidade geral.” Com informações da UFJF.


Publicado originalmente em: LabNetwork
Acessado em 30/04/2016; 13:50  - Horário de Brasília


quinta-feira, 7 de abril de 2016

IEC TR 60068-3-12: ensaios climáticos em refusão de solda sem chumbo

A IEC TR 60068-3-12:2014 - Environmental testing - Part 3-12: Supporting documentation and guidance - Method to evaluate a possible lead-free solder reflow temperature profile apresenta duas abordagens para o estabelecimento de um perfil de temperatura para o processo de refluxo de solda sem chumbo usando uma pasta de soldagem de SnAgCu.

 

 

Este processo abrange uma grande variedade de produtos eletrônicos, incluindo uma grande variedade de moldados de componentes eletrônicos ativos, componentes passivos e componentes eletromecânicos.

 

Entre os ensaios ambientais, os climáticos visam reproduzir em laboratório as condições climáticas a que pode ser sujeito um produto ou parte de um produto em laboratório, utilizando equipamentos adequados. Os ensaios climáticos são entendidos como aqueles relacionados com causas naturais, tais como temperatura, umidade, corrosão por nevoeiro salino, incluindo combinações de fatores agressivos, tais como temperatura e vibrações ou mudanças bruscas de parâmetros ambientais, como no caso dos equipamentos de choque térmico.

 

Saiba mais em:  www.target.com.br

 

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Grupo Boticário desenvolve pele 3D no Brasil


Tecnologia inovadora reproduz a pele humana 
em laboratório, para a realização de testes de 
produtos cosméticos
O Grupo Boticário acaba de dar um passo à frente e se torna a primeira companhia a desenvolver a pele humana em laboratório no Brasil. A pesquisa e o desenvolvimento do material foram realizados pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, localizado na planta de São José dos Pinhais (PR). O material já é utilizado para o teste de matérias-primas e produtos acabados (cremes, loções e maquiagens), tanto para a escolha de ingredientes que serão usados nas formulações, quanto na segurança dos produtos. 

A tecnologia é um método alternativo aos testes em animais para a indústria cosmética, reconhecido pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para elaborar a pele 3D, são utilizadas células isoladas a partir de tecido descartado de cirurgias plásticas, nos casos em que há o consentimento do doador para este fim e aprovação de Comitê de Ética e Pesquisa da instituição. Em laboratório, a pele vai sendo formada, célula a célula, camada por camada, tal como a pele humana. Primeiro é feita a derme, composta por fibroblastos, que são responsáveis pela produção de proteínas, como colágeno, que dão firmeza e elasticidade à pele. A próxima camada a ser formada é a epiderme, compostas por células denominadas queratinócitos, responsáveis pelas funções de barreira e proteção do corpo, e também por melanócitos, que dão coloração à pele.

“Sabemos que o futuro a gente constrói hoje e, sobretudo, queremos que ele seja mais sustentável. A inovação é parte da essência do Grupo Boticário, que sempre investiu em métodos alternativos, e está na vanguarda da tecnologia para cosméticos. É por isso que queremos continuar sendo protagonistas nessa trajetória e inspirar mais pessoas e instituições a abraçarem essa causa com a gente”, explica o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Boticário, Richard Schwarzer.

“A companhia já não realiza testes em animais nos produtos que desenvolve há mais de 15 anos e apoia a eliminação dessa atividade com a adoção das melhores práticas para o desenvolvimento dos produtos”, completa o gerente de Pesquisa Biomolecular do Grupo Boticário, Márcio Lorencini.

Com a tecnologia inovadora, é possível realizar vários testes numa mesma unidade de pele reconstituída, que dura sete dias, em vez de 72 horas da pele in natura. A pele 3D permite ainda maior amplitude e mais assertividade nos testes, pois ela é elaborada a partir de um pool de células de vários indivíduos. 

Entre as vantagens apontadas estão: evitar testes em animais na indústria cosmética, redução no número de testes com humanos, maior fidelidade e confiabilidade aos testes dos produtos, possibilidade de se testar várias formulações e escolher a melhor em relação à eficácia.


Investimento e pioneirismo

O Grupo Boticário possui um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, compatível com o que há de mais avançado no mundo, dentro do segmento de perfumaria e cosméticos. A estrutura de mais de 8 mil metros quadrados de área construída, localizada em São José dos Pinhais (PR) e inaugurada em 2013, recebeu investimentos de R$ 37 milhões.

A empresa investe, ainda, anualmente, cerca de 2,5% de seu faturamento em Pesquisa e Desenvolvimento e lança de 1 mil novos produtos por ano. Foi a primeira a adquirir, no Brasil, no setor privado, em 2007, um cromatógrafo massa/massa – equipamento de cerca de R$ 1 milhão destinado a pesquisas com nanotecnologia. 

Também foi a primeira a aplicar nanotecnologia em cosméticos e a desenvolver um produto com triplananotecnologia – que permite a entrega direcionada dos ativos nas camadas da pele.

Publicado originalmente em LabNetwork
Acessado em 07/01/2016, 09:20 - Horário de Brasília



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Laboratório da Clínica do Leite Luiz de Queiroz é acreditado pelo Inmetro


A Clínica do Leite realiza cerca de 80 mil análises mensais para indústrias e 70 mil para fazendas.
foto: freedigitalphoto







A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) recebeu, esta semana, o certificado de acreditação concedido ao laboratório de análises científicas de leite pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A acreditação foi estabelecida com base nos requisitos da norma ABNT NBR ISO/IEC 17025:2005.
Desde 2002 o laboratório da Clínica do Leite faz parte da Rede Brasileira de Laboratórios de Análise da Qualidade do Leite (RBQL), do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), que tem como responsabilidade monitorar o leite produzido no país. Em 2008, foi oficialmente credenciado junto à Coordenação Geral de Apoio Laboratorial (CGAL/MAPA) para a realização de análises para programas oficiais do governo e, agora, passa a ser acreditado junto ao INMETRO. “O fato de conquistarmos essa acreditação mostra que a ESALQ está cumprindo uma parte de sua missão de estabelecer excelência. Nesse momento, a Clínica do Leite está alinhada nesse propósito e passa a ser uma referência para a instituição e para a sociedade”, comentou o diretor da ESALQ, Luis Gustavo Nussio.
O escopo da acreditação se refere às análises de “gordura, proteína, contagem de células somáticas e de bactérias em amostras de leite”, de acordo com Paulo Machado, coordenador da Clínica do Leite, e pode ser acessado no site do INMETRO, consultando o nº de acreditação do laboratório (CRL 0851). “A acreditação é mais uma garantia de que, desde 1996, estamos no caminho certo, buscando sempre oferecer um trabalho de alta qualidade”, ressaltou o coordenador.

A Clínica do Leite
A Clínica do Leite está ligada ao Departamento de Zootecnia da ESALQ e existe desde 1996. Sua missão é prover soluções integradas e inovadoras para a gestão da produção e da qualidade do leite. Para tanto, realiza análises laboratoriais, consultoria, treinamentos, gestão de dados e pesquisas. Estes trabalhos são executados por 40 funcionários contratados pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ) e por pesquisadores associados, com a ajuda dos alunos de pós-graduação e de graduação, ao todo somando mais de 60 colaboradores.
Cerca de 430 indústrias localizadas nos estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará e Bahia, somadas às mais de mil fazendas, fazem uso dos serviços da Clínica do Leite. “São cerca de 80 mil análises mensais para indústrias e 70 mil para fazendas”, atesta o professor Machado, mencionando que isto representa ao redor de 25% do leite produzido em todo o país. Os resultados analíticos e os serviços de consultoria são utilizados para montar um robusto banco de dados que serve para a realização de trabalhos científicos por pesquisadores da ESALQ e por outros externos a ela.

Publicado originalmente em: LabNetwork 
Acessado em 22/07/2015, 9:30 - Horário de Brasília


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Fiocruz busca validar o método alternativo HET-CAM ao uso de animais em pesquisa

Um ovo de galinha embrionado tem parte de sua casca retirada para se expor uma membrana interna conhecida como corioalantoide. Nela, os técnicos podem realizar estudos que simulem os efeitos vasculares semelhantes aos que ocorrem no olho humano, quando exposto a xampus e colírios, permitindo defini-los como irritantes ou não.
Foto: freedigitalphoto

Fato comum nos EUA, Canadá, Japão e em vários países da Europa, a validação de métodos alternativos ao uso de animais nunca ocorreu na América Latina. Contudo, uma iniciativa do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fiocruz pretende, de forma inédita no continente latino, fazer reconhecer um ensaio alternativo sob o ponto de vista legal e regulatório. “Nossa intenção é validar e, mais que isso, aprender a validar para futuramente podermos trabalhar com outras metodologias ainda inéditas”, explica o biólogo Octávio Presgrave, coordenador do Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM), criado pelo e situado no INCQS.

A metodologia a ser validada chama-se HET-CAM. Um ovo de galinha embrionado tem parte de sua casca retirada para se expor uma membrana interna conhecida como corioalantoide. Nela, os técnicos podem realizar estudos que simulem os efeitos vasculares semelhantes aos que ocorrem no olho humano, quando exposto a xampus e colírios, permitindo defini-los como irritantes ou não. O HET-CAM, caso validado, deverá compor uma bateria com outros testes que, juntos, visam substituir o atual uso de coelhos – se o teste com esses animais é único; sua alternativa exige a composição entre várias etapas, sendo o HET-CAM apenas uma delas. Presgrave diz se tratar de um método relativamente simples: “optamos por essa simplicidade por ser nossa primeira vez; assim poderemos partir com mais segurança para outros mais complexos no futuro”, diz.

A validação de métodos alternativos costuma ser bastante cara é só ocorre agora devido à importante ajuda do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio de sua Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama) e do CNPq. Contudo, uma vez efetuada, o novo ensaio pode representar uma grande economia. “No caso do HET-CAM, por exemplo, ela pode chegar a ser de até 70%, pois o manuseio de coelhos é mais dispendioso”, contabiliza Presgrave.

O estudo de validação está seguindo a seguinte ordem: primeiramente, nos dias 21 e 22 de maio, aconteceu uma reunião, na Fiocruz, entre os coordenadores e os institutos que efetuarão os ensaios – são eles o EVIC da França, a USP de Ribeirão Preto e a Universidade Federal de Goiás. “Por ser do grupo gestor, o INCQS não poderá atuar no laboratório”, explica Presgrave. A seguir, ainda reunidos na Fiocruz, entre os dias 23 e 27 de maio, o EVIC, escolhido como laboratório líder, estabelece o protocolo a ser seguido pelos outros participantes. Depois, cada instituto fará o ensaio em suas próprias dependências. Por fim, em data ainda a ser definida, os resultados serão reunidos e, a partir análises estatísticas comparativas, a metodologia poderá ser ou não validada. Para conduzir todo o processo, foi convocado um dos maiores e mais experientes especialistas no mundo em métodos alternativos e suas validações: o bioquímico Thomas Hartung, ex-diretor do Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos (ECVAM) e atualmente professor da Universidade John Hopkins, nos EUA.

Em caso de sucesso, o método alternativo poderá então ser regulamentado, ensinado e empregado rotineiramente. “Queremos colocar o Brasil no cenário mundial de validação, pois até aqui, os métodos precisavam ser validados lá fora para só então nós os reconhecermos. Pela primeira vez, isso poderá seguir um caminho contrário”, finaliza Presgrave.

Publicado originalmente em LABNetwork
Acessado originalmente em 04/06/2015 - 10:20, Horário de Brasília